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Petroleiros param e ministro do TST fala em ‘afronta’

Contrariando determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) da última sexta-feira, empregados da Petrobrás, liderados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), cruzaram os braços em greve ontem, movimento programado para se estender até sexta-feira. Em represália, a empresa recorreu novamente à Justiça. Dessa vez, pedindo que o tribunal imponha multas ainda mais elevadas e punições mais rígidas, reivindicação acatada pelo ministro Ives Gandra, que classificou a paralisação como “afronta”.

Apesar da imposição de penalidades mais duras, os sindicalistas se reuniram no início da noite, logo após divulgação da decisão judicial, e decidiram em videoconferência manter a greve. Eles protestam contra a venda de ativos, as demissões em massa e o alinhamento dos preços de venda da gasolina e do óleo diesel aos das commodities negociadas em Londres, em dólar.

A FUP argumenta que vem apresentando sua reivindicação há anos, mas a interpretação do TST é que a federação não poderia ter iniciado o movimento após 18 dias da assinatura do acordo coletivo. “A gente fala e a Petrobrás não ouve. Já que ela não quer ouvir, a arma que nós temos é a mobilização”, disse o coordenador da federação, José Maria Rangel, em vídeo divulgado aos trabalhadores.

Ontem, Gandra determinou a suspensão das mensalidades pagas pelos empregados para sustentar os sindicatos até que seja alcançado o valor das multas. Determinou também o bloqueio de R$ 2 milhões das contas dos 13 sindicatos envolvidos na greve e da FUP. A última vez que a Justiça autorizou um bloqueio desse tipo foi na greve de 1999, a única em que houve desabastecimento de combustível. Na paralisação desta semana, no entanto, os sindicatos deram a palavra que o atendimento à população estaria garantido.

Paralisação. A estatal reconhece paralisações em sete refinarias – Recap (SP), Reduc (RJ), Refap (RS), Reman (AM), Replan (SP), Rlam (BA) e Rnest(PE) –, na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná, e em plataformas da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Cada uma dessas unidades vai gerar multa diária de R$ 2 milhões aos grevistas, segundo a determinação do tribunal de ontem. Na última sexta-feira, a liminar do TST tinha definido o mesmo valor para cada dia de greve, independentemente do número de unidades atingidas.

O diretor de Relações Institucionais da FUP, Deyvid Bacelar, chamou de “arbitrária” a decisão do ministro e disse que a federação vai reagir à decisão.

Procurada, a Petrobrás não se posicionou.

Fonte: O Estado de S.Paulo