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Petrobras pede desculpas a 2 mil funcionários investigados

A Petrobras começou a enviar cartas com pedidos de desculpas a dois mil empregados que foram investigados ou chamados a participar de apurações internas de suspeitas de corrupção nos últimos cinco anos, desde que a estatal entrou no foco da Operação Lava-Jato. Receberão as correspondências funcionários sobre os quais não houve qualquer irregularidade descoberta ou comprovada, mas que ficaram sem esclarecimento oficial. A informação foi dada ontem pelo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, em um evento comemorativo do Dia Internacional do Combate à Corrupção.

Castello Branco disse que a empresa endureceu regras de governança após a Lava-Jato, mas afirmou que a aplicação delas “passou a ser excessiva”, levantando dúvidas sobre pessoas sem culpa comprovada, no que classificou como “jacobinismo”, termo que tem origem no radicalismo de um dos grupos políticos mais atuantes após a Revolução Francesa, no fim do século XVIII.

—Em vez de investigar e punir as pessoas que realmente cometiam atos dolosos, inocentes foram perseguidos. O resultado disso é que estamos entregando cerca de duas mil cartas pedindo desculpas às pessoas envolvidas e aseus familiares pelos danos causados. Por isso aproveito esta oportunidade para pedir desculpas pessoalmente, como presidente da companhia, em nome da Petrobras, a todos aqueles que foram injustiçados. Sei que isso não é suficiente, que não vamos apagar da mente das pessoas aqueles momentos que estão no passado. É muito importante um pedido público de desculpas a todos que foram vítimas do que chamo de jacobinismo. O excesso levando a erro doou trolado— discursou Castello Branco.

NEM TODOS SUSPEITOS

Em nota após o evento, a Petrobras esclareceu que nem todos os destinatários das cartas foram alvo de apuração interna, mas podem ter participado de procedimentos investigatórios como testemunhas, por exemplo, desde 2015. De lá para cá, foram envolvidos em processos internos desse tipo funcionários de vários níveis hierárquicos, da alta gerência a profissionais sem cargos comissionados. Nesse período, presidiram a Petrobras Aldemir Bendine, Pedro Parente e Ivan Monteiro.

Castello Branco, que assumiu em janeiro indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, lembrou que a força-tarefa da Lava-Jato conseguiu recuperar R$ 4,2 bilhões desviados da empresa. Ele afirmou que a corrupção gera distorções que impedem o desenvolvimento econômico do país e drenam recursos de investimentos sociais, como a saúde pública.

O diretor de Governança da Petrobras, Marcelo Zenkner, afirmou que a empresa está promovendo uma série de mudanças em suas normas de governança para torná-las mais flexíveis, mas mantendo a prevenção à corrupção. Ele não detalhou as mudanças, mas afirmou que o objetivo é tornar a empresa mais ágil.

— Já conseguimos identificar onde estavam as falhas e expurgar da companhia as pessoas que, de alguma forma, se envolveram com fraudes. Então, agora temos condições de tornar a companhia mais ágil, mais veloz para que possa competir com os grandes players do mercado internacional — afirmou Zenkner, reforçando que as normas continuarão rígidas. — De forma alguma haverá relaxamento de regras. O que vai haver agora é uma evolução, um aprimoramento, no sentido de mantermos nos controles internos os padrões já alcançados, mas com uma velocidade maior e um poder de resposta que possa colocar a Petrobras em condições de competir com o mercado internacional.

Uma das ideias é ter mais medidas de prevenção a fraudes em vez de focar só na investigação de desvios. Zenkner citou como exemplo as etapas de integridade por que passam empregados antes de serem contratados, assim como a verificação preliminar da conduta de fornecedores.

CULTURA DE ‘CONFIANÇA’

O diretor explicou ainda que o objetivo é passar de um sistema de compliance (conformidade) clássico, estabelecido no tripé prevenção, detecção e correção, para um sistema de integridade baseado em relações de confiança, disseminando uma cultura de integridade na empresa:

— O objetivo aqui é empoderar os gestores para que eles possam ter o poder de decidir com confiança, sem abrir mão dos controles internos, e dando velocidade à empresa.

“Em vez de investigar e punir as pessoas que realmente cometiam atos dolosos, inocentes foram perseguidos”

Fonte: O Globo