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Na refinaria, preço da gasolina ficará abaixo de R$ 2 pela primeira vez desde 22 de agosto

A Petrobras anunciou que o preço da gasolina nas refinarias ficará abaixo de R$ 2 a partir de hoje, pela primeira vez desde 22 de agosto. O litro será repassado às distribuidoras, sem os tributos, a R$ 1,9855. Na bomba, porém, já ultrapassa R$ 5.

O novo valor nas refinarias representa um recuo de 3,79% em relação ao que vinha sendo cobrado, de R$ 2,0639. Desde 22 de setembro, quando estava a R$ 2,2514, o preço da gasolina já caiu oito vezes, acumulando retração de 11,8%. No mês de outubro, a gasolina nas refinarias registra redução de 10,39%, passando de R$ 2,2159 para R$ 1,9855.

Segundo especialistas, a retração no preço ocorre por conta da queda do preço do dólar e da cotação do preço do barril no mercado internacional.  Segundo a Bloomberg, o preço do barril do petróleo tipo brent no mercado internacional acumula queda de cerca de 4,4% nos últimos 30 dias, cotado nesta terça-feira na faixa dos US$ 76. O dólar, outra variável importante para a composição de preços, também teve queda de 9,3% no último mês, caindo de R$ 4,08 para os atuais R$ 3,70.

Mas essa redução nas distribuidoras ainda não se refletiu para o consumidor. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço só sobe na bomba. Na cidade do Rio de Janeiro, o preço médio do litro ao consumidor passou de R$ 4,857, em agosto, para R$ 4,993, em setembro. Em outubro, diz a ANP, o valor gasolina ao consumidor ultrapassou a barreira dos R$ 5,00, e tem preço médio de R$5,065.

No Brasil, o preço médio do litro da gasolina também chega em outubro maior. Neste mês, o preço médio está em R$ 4,716, maior que os R$ 4,625 registrados em setembro, que também subiu em relação ao mês de agosto, de R$ 4,447.

A atual política de preços da Petrobras busca manter a paridade de preço internacional em busca de rentabilidade. Entretanto, para reduzir a volatilidade no mercado interno de gasolina, a estatal adotou recentemente um instrumento de hedge que permite segurar possíveis reajustes por até 15 dias, sem incorrer em perdas.  A opção de adotar mecanismo de hedge, calcada em contratos futuros do combustível nos EUA, foi criada em setembro e permitiu um recuo importante da volatilidade nos preços das refinarias.

David Zylbersztajn, ex-diretor-Geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), destacou que os preços no Brasil são livres e as suas oscilações podem ser explicados pela lei da oferta e da demanda.

– Os preços são livres. Então, as redes sentem a demanda e fazem seus preços. Se o consumo cair, o preço cai também. É claro que ainda há uma questão de margem dos revendedores. O que não pode ter é uma cartelização dos preços. Isso é ilegal – explicou Zylbersztajn.

Paulo Miranda, presidente da Fecombustivel, disse que o aumento no preço da gasolina reflete o maior preço do etanol.

– Houve um aumento de preços do etanol anidro, que está na entressafra e subiu muito. Ele representa 27% da gasolina C. Normalmente em função dos estoques das empresas distribuidoras o caminho inverso de baixa do preço é mais lento mesmo – disse ele.

Fonte: O Globo