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É inconcebível que uma empresa tenha 98% do refino do Brasil, diz presidente da Petrobras

Não é concebível que apenas uma empresa tenha 98% da capacidade de refino do país, afirmou o novo presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em entrevista a um canal interno da companhia, em que defendeu que a empresa precisa avaliar a venda de algumas refinarias.

Ao tomar posse na semana passada, o executivo já havia afirmado que “o relevante é ser forte e não ser gigante” e declarou que monopólios são “inadmissíveis” em sociedades livres.

“Não é concebível que uma única companhia tenha 98% da capacidade de refino, seja ela qual for, em um país. E nós estamos sendo alvo de ações do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]”, disse Castello Branco, no vídeo distribuído à força de trabalho, ao qual a agência Reuters teve acesso.
“Será que é bom para a Petrobras de fato ter quase a totalidade da capacidade de refino no país? Eu acho que isso nos expõe a críticas e ataques por parte de muitas pessoas, de segmentos da sociedade, como foi feito na greve dos caminhoneiros.”

A paralisação dos caminhoneiros, citada pelo executivo, ocorreu em maio do ano passado contra os altos preços do diesel. Na ocasião, a política de preços da Petrobras —que segue indicadores internacionais em busca de rentabilidade— foi alvo de críticas.

Como resultado, o governo lançou um programa de subsídio ao diesel fóssil, amplamente criticado pelo mercado e por Castello Branco. A subvenção terminou no fim de 2018.

“Será que nós não poderíamos fazer melhor vendendo algumas refinarias e utilizando esses recursos para financiar o pré-sal, onde nós somos o número 1 do mundo? Essas questões têm que ser levantadas e respondidas”, afirmou.

O ex-presidente da Petrobras Pedro Parente, que renunciou em meio à crise dos caminhoneiros, lançou um plano para vender 60% da participação da empresa em ativos de refino e logística no Nordeste e Sul do país.

Mas a ideia foi paralisada, depois que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a venda de ações de empresas públicas, sociedades de economia mista ou de suas subsidiárias ou controladas exige prévia autorização legislativa.

Uma privatização da Petrobras, no entanto, não está sobre a mesa, frisou Castello Branco. Também não há plano para redução do efetivo.

“Eu não tenho nenhum mandato para privatizar a Petrobras e nem eu, se tivesse, gostaria de transmitir o controle dessa empresa para uma empresa privada. Nós teríamos que pensar em algo mais inteligente. O que pode acontecer são eventuais desinvestimentos”, afirmou.

No atual plano de negócios da Petrobras 2019-2023, publicado no fim do ano passado pela gestão anterior, de Ivan Monteiro, estão previstos desinvestimentos de 26,9 bilhões de dólares, com o objetivo de readequar o portfólio e reduzir a sua enorme dívida.

Castello Branco ponderou no vídeo que os níveis de endividamento da empresa se reduziram bastante nos últimos tempos, mas afirmou que “ainda são altos em relação ao que se requer de uma empresa que produz commodities minerais”.

Segundo ele, o foco da empresa permanecerá em exploração e produção de grandes campos de petróleo e gás em águas profundas e que planeja acelerar a extração das commodities. No entanto, o executivo não descartou realizar mudanças no plano de negócios atual.

“Não tenho críticas severas em relação ao material, mas preciso de mais tempo para analisar. Talvez fazer alguns ajustes marginais”, disse Castello Branco, sem oferecer detalhes.

Onyx acrescentou que a ideia é propor um modelo de longo prazo.

— Nós queremos que a sociedade brasileira só volte a falar de reforma da Previdência daqui a 20 ou 30 anos. É um olhar de longo prazo, fraterno e humano que vamos trazer na proposta.

Ao prever o envio de uma proposta que combine a reforma do sistema atual e a criação de um novo modelo, o desenho da nova equipe econômica se aproxima muito da proposta elaborada pelo grupo do economista Paulo Tafner, que não faz parte do governo mas integra um conselho de especialistas formado por Guedes para discutir o assunto. Logo após as eleições, o texto foi apresentado à equipe de Bolsonaro pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, que patrocinou o projeto.

O texto do grupo prevê economia de R$ 1,3 trilhão em dez anos, mas contém pontos que não devem ser aproveitados pela equipe de Bolsonaro, na avaliação dos técnicos envolvidos. O principal deles é a desvinculação do benefício previdenciário do salário mínimo — uma ideia defendida por economistas liberais, mas considerada de difícil aprovação e que chegou a causar divergências dentro do grupo que elaborou a proposta.

Seja qual for a proposta, a tendência é que o texto passe também pelo crivo político. Ontem, após uma reunião ministerial, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, reforçou a tese de Bolsonaro de que a melhor reforma é a que passa:

— (A reforma) continua em estudo, com aquela teoria de que a Previdência tem que ter as idades, tem que ser viável para ter a possibilidade de ser aprovada.

Fonte: Folha de S.Paulo