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Apesar do impacto da pandemia, FUCHS anuncia crescimento na América do Sul

Com plantas no Brasil e Argentina e atuação em toda a região, companhia global fornecedora de soluções para lubrificação tem como objetivo prioritário fortalecer o mercado B2B e ampliar a capilaridade do B2C no setor automotivo

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Apesar do impacto decorrente da irrupção da pandemia de COVID-19 na indústria, a FUCHS, empresa global fornecedora de soluções para lubrificação, vislumbra um cenário otimista e estima crescimento na América do Sul, até 2025. De acordo com dados recentes do IBGE, a produção industrial brasileira caiu 18,8% em abril de 2020, na comparação com março e atingiu o nível mais baixo já registrado no país. Levando em consideração o novo cenário, a FUCHS traçou um plano estratégico com o objetivo de fortalecer sua atuação no mercado B2B e ampliar a capilaridade do B2C no setor automotivo. Atualmente, a companhia possui grande presença na região sul-americana, com plantas no Brasil e Argentina, além de escritório comercial no Chile e distribuidores em quase todos os países da região. No último ano, a FUCHS garantiu receita de aproximadamente 2.6 bilhões de euros, globalmente. Além disso, atualmente, o Brasil representa 50% da produção econômica da FUCHS na América do Sul.

Segundo o Gerente da divisão de especialidades do Grupo FUCHS, FUCHS LUBRITECH, Marcelo Caravetti, a companhia possui uma forte estrutura para atender os clientes da América do Sul. Atualmente, a subsidiária argentina, além de atender ao mercado local, é responsável pelo fornecimento das soluções para lubrificação também do Paraguai. Já a FUCHS BRASIL, também atende às demandas de Bolívia e Uruguai. Além disso, o Brasil abastece as plantas da Argentina e Chile com produtos que não são fabricados localmente, principalmente especialidades como graxas, produtos food grade e desmoldantes. “Nosso objetivo, alinhado ao plano estratégico para os próximos anos é aumentar a participação da produção local para diminuir a dependência de produtos vindos do exterior. Isso inclui o fornecimento de produtos produzidos localmente para todos os países da região incluindo Bolívia, Equador, Peru, Colômbia e Venezuela”, explica o executivo.

Segundo o VP da América do Sul da FUCHS PETROLUB, Friedrich Rheinheimer, o Brasil é estratégico para o Grupo FUCHS não apenas por sua abrangência geográfica, mas também pela diversificação da sua economia. “Não são muitos os países que possuem a mesma variedade de segmentos que o Brasil atende: Oil&Gas, mineração, processamento de metais, agricultura, processamento de alimentos, indústria automotiva, de bens de consumo e até mesmo aeroespacial. Nesse contexto, concluímos que a maioria dos nossos clientes globais estão presentes no país e, por estarmos no Brasil, podemos garantir a mesma atenção e qualidade que esperam de nós em qualquer outro lugar do mundo”, esclarece. Além disso, Rheinheimer enfatiza que participação do Brasil na produção econômica da América do Sul é maior em relação aos outros países da região porque aqui foi o início das atividades comerciais e o negócio principal de lubrificantes para a indústria.

Segundo o Coordenador de Desenvolvimento de Negócios da FUCHS, Carlos Muchão, a representatividade do Brasil na América do Sul é grande. “A FUCHS BRASIL conta com uma produção bastante superior à da Argentina, que hoje representa cerca de um quarto do volume do Brasil. O intuito é aumentar o market share da FUCHS tanto no Brasil, quanto nos países vizinhos”, afirma. Muchão ressalta ainda que todas as divisões são importantes dentro do contexto da região sul-americana, já que amplificam o posicionamento de marca em diversos segmentos de mercado, dentre eles o setor automotivo, com destaque no aftermarket. “Somos uma marca consolidada na área industrial e na divisão de lubrificação nos países da América do Sul. Neste momento, estamos expandindo nossa abrangência no mercado B2B em outros países por meio de novos distribuidores”, diz.

Impactos da pandemia e novos direcionamentos

Caravetti relata que o faturamento da companhia foi impactado pelo decréscimo de atividade industrial e da economia, mas, segundo o executivo, a FUCHS vem se recuperando de acordo com a retomada das atividades econômicas dos países. “Desde o início da pandemia tivemos restrições de viagens, o que impactou nas tratativas comerciais com os outros países da América do Sul. Por isso, foi preciso estreitar ainda mais o relacionamento virtual com nossos distribuidores e parceiros. Por outro lado, algumas de nossas divisões não sofreram grande impacto, como a que atende à indústria alimentícia, por exemplo, uma vez que este setor não parou durante a pandemia e por isso mantivemos o ritmo da produção e entrega para os clientes. Contudo, houve uma queda nas vendas em função da atividade industrial, mas agora, gradativamente, o ritmo já está sendo retomado”, declara.

O Gerente da FUCHS LUBRITECH explica ainda que, mesmo com o impacto do desabastecimento, a companhia conseguiu enfrentar o processo de maneira planejada trabalhando em parceria com os clientes e fornecedores. Dentre as mudanças, os serviços de assistência técnica, por exemplo, sofreram adequações para preservar a saúde dos funcionários sem interferir na qualidade do atendimento aos clientes. Quanto às exportações, Caravetti conta que as demandas para o Uruguai se mantiveram, mas em contrapartida, na Bolívia houve maior restrição. “Repaginamos muitos serviços que fazíamos in loco para o modelo remoto, para que nossos produtos fossem aplicados corretamente e o cliente pudesse ter o aproveitamento total das soluções. Mesmo com a redução de jornada por um período de 3 meses, não houve impacto na operação e tampouco nas entregas para os clientes“, explica.

Além disso, Rheinheimer destaca que a FUCHS já havia implementado uma solução de colaboração e comunicação baseada em nuvem bem antes da pandemia. Desta forma, foi possível migrar para o trabalho remoto muito rapidamente. “Fizemos o investimento apenas em alguns notebooks e novos acessos VPN nas casas de alguns colaboradores, que se mostraram muito comprometidos e engajados em garantir a continuidade do negócio. Foi um momento muito desafiador, mas uma ótima maneira de testar novas abordagens de comunicação e interação com os clientes na etapa de ramp-up”, ressalta.

Rheinheimer esclarece que como na maioria das empresas, a pandemia trouxe muitas mudanças para a FUCHS. “Na América do Sul, pudemos aprender com os casos ocorridos nos países que foram afetados anteriormente. Algumas áreas (produção de alimentos e mineração) foram pouco afetadas no início, em outras conseguimos crescer devido aos novos canais de distribuição (aftermarket automotivo), mas não deixamos de observar uma queda acentuada nas vendas em relação ao ano passado”.

Rheinheimer também destaca que espera que os planos sejam revisados em intervalos mais curtos de tempo para reagir rapidamente ao mercado que está em constante mudança neste momento. “Nós já estamos bem posicionados por meio de nosso amplo portfólio de produtos e nossa base de clientes. Assim, podemos lidar bem com as flutuações do mercado. No entanto, a mudança na disponibilidade dos mercados mundiais de certos aditivos e produtos químicos e a desvalorização contínua do real em relação ao dólar ou ao euro é um ponto que será avaliado com muita atenção”, reflete.

Retomada e novos planos de negócio

Tendo em vista o cenário de retomada, os planos para o futuro foram estabelecidos levando em consideração a nova previsão, que, segundo Muchão, dependerá das conjunturas de cada país, já que carregam perfis de negócios e distintas situações político-econômicas, relacionados à pandemia. “O crescimento dependerá também de cada segmento de mercado. Reformulamos nosso planejamento estratégico e os projetos a longo prazo para atingir novas metas até 2025”, opina.

De acordo com Rheinheimer, 2019 já foi um ano difícil para o Brasil, pois a indústria automotiva sofreu com a queda nas vendas. O executivo relata que em 2020, esse efeito foi intensificado pela pandemia e a demanda decrescente da Argentina por carros e bens de consumo do Brasil também contribuiu, no entanto, o executivo é otimista com relação a 2021. “No Brasil, esperamos retornar aos níveis de 2019 em 2021. Não apenas porque os clientes estão retornando ao nível pré-pandemia, mas também porque estamos aumentando nossa participação de mercado em segmentos como o de aftermarket automotivo”, finaliza.